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Semana Mundial do Aleitamento Materno

Postado em 1 de agosto de 2019.

Envolvendo fatores emocionais a fisiológicos, a amamentação é um processo inseparável da vida humana. É através do leite materno que os bebês recebem as principais defesas imunológicas, as substâncias primordiais para seu desenvolvimento, além do vínculo afetivo mãe-bebê, proporcionando o acolhimento e proteção maternos. 

Em favor disso, a Aliança Mundial para Ação em Amamentação (WABA, sigla em inglês) criou, em 1992, a campanha da Semana Mundial de Aleitamento Materno. Ela acontece sempre entre os dias 1 e 7 de agosto. Na edição deste ano de 2019, o slogan que aparece como diretriz da campanha tem os dizeres: “Capacite os pais e permita a amamentação, agora e no futuro”.

Então hoje eu quero explicar um pouco sobre esse slogan e os objetivos da campanha. Vamos a eles:

Informar as pessoas sobre os vínculos entre proteção social parental com igualdade de gênero & amamentação;

O primeiro objetivo da campanha de Aleitamento Materno tem como alvo a conscientização da sociedade sobre a relação entre proteção social parental, amamentação e igualdade de gênero.

Vamos pensar no que cada um desses termos significa?

Primeiro proteção social parental: é a obrigação básica que pais têm com seus filhos. Fornecer tudo o que uma criança precisa para crescer e se desenvolver com saúde e felicidade, protegendo, dentro do possível, de qualquer mal que possa acometer à sua segurança e bem-estar físico, mental e emocional. O que nos leva ao segundo termo.

Se o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses é essencial para o desenvolvimento físico, mental e psicológico do bebê, é indiscutível que então ele é um ato de proteção social parental. Porém, para que ele seja possível, é necessário todo um contexto favorável para a mãe. Afinal, a realidade da mulher brasileira é a das 3 jornadas de trabalho: cuidados da casa, da família e ainda ter que ajudar no sustento do núcleo familiar. 

Por isso, quando falamos em possibilidades de amamentação, não podemos deixar de lado o terceiro termo: igualdade de gênero. É necessário que o pai tome consciência do seu papel e não deixe tudo nas costas da mãe. Quando pensamos no machismo nosso de cada dia, lembramos da mulher tendo que fazer todos os serviços domésticos, porque o homem “não foi educado para isso”. Ela tem que ser uma boa esposa e deixar a casa limpa, fazer comida e ser uma boa mãe, porque o pai não irá. E, além disso, ela trabalha fora, seja por obrigação, por uma questão financeira, seja por aspiração de ter uma carreira própria. 

Não é de se duvidar que a amamentação acaba sendo prejudicada nesse processo. Não há quem tenha tempo e nem condições psicológicas para conseguir dar conta de tudo. 

Por isso, se queremos a autonomia das mulheres e ainda a proteção social parental, precisamos incluir o papel da paternidade na luta. Enfim, é uma cadeia, uma coisa que leva à outra.

Vincular iniciativas de apoio à maternidade/paternidade e normas/leis sociais com igualdade de gênero em todos os níveis para apoiar a amamentação;

O apoio à maternidade/paternidade que visa à amamentação, deve passar por normas, leis e campanhas para que seja realmente implementado. Em 1988  foram aprovados na Constituição quatro meses de licença-maternidade e cinco dias de licença-paternidade. No serviço público, são 180 dias e 20 dias respectivamente. Mas desde então, muita coisa mudou na rotina familiar brasileira. 

Apenas cinco dias de licença-paternidade é muito pouco para que os pais realmente exerçam algum auxílio para a amamentação. Na verdade, esses cinco dias representam a ideia retrógrada de paternidade: a mãe cuida da rotina maçante da criação e o pai apenas curte os momentos de lazer com os filhos.

Recentemente, o Ministério Público do Trabalho (MPT) encaminhou à Procuradoria Geral da República (PGR) a proposta de um projeto de lei para que os últimos 60 dias da licença-maternidade possam ser assumidos pelo pai. O que já seria um avanço para a licença compartilhada, mas ainda não a solução de todos os problemas. 

Pois as mulheres ainda seriam afetadas pela carga de serem apenas elas que se ausentam do trabalho por 6 meses. O que já é comprovado que aumenta as taxas de desemprego e da média salarial feminina. 

Acredito que um começo melhor seria aumentar para dois meses de licença-paternidade e manter os 6 meses de licença-maternidade. E expandir os benefícios para o serviço privado atender essas exigências. 

Envolver-se com indivíduos e organizações para um maior impacto;

Esse objetivo tem a ver com dois assuntos muito falados atualmente: rede de apoio à mãe lactante e organizações que apoiem suas funcionárias no aleitamento. E como promovemos essas duas estratégias de apoio?

A rede de apoio é uma união de esforços que envolve o pai, família, amigos e profissionais de saúde no atendimento à mãe. Falei muito sobre o papel da paternidade, mas ainda não especifiquei algumas das atitudes que o pai pode tomar. Afinal, ele é imprescindível nessa rede de apoio. Ele pode contribuir com os cuidados do bebê, trocando fraldas, dando banho e colocando para dormir. Além de ajudar nos cuidados da própria mãe, certificando-se de que ela esteja bem alimentada.

Os parentes e amigos podem incentivar e apoiar a mãe lactante. O aleitamento é diretamente influenciado pelo estado psicológico da mulher, o que significa que pensamentos de auto-depreciação e impotência prejudicam o sucesso da amamentação. 

Os profissionais de saúde devem entrar com seu papel de informar e orientar as melhores práticas para o sucesso do aleitamento. Se isso não for possível, dar as devidas orientações para a busca por bancos de leite. Tudo isso sempre baseado em evidências científicas. 

Mobilizar a sociedade para ampliar a proteção social parental com igualdade de gênero para apoiar e promover a amamentação.

O último objetivo da Semana Mundial de Aleitamento Materno de 2019 envolve exatamente isso que estamos fazendo aqui. Divulgar, ler, discutir e compartilhar informações sobre igualdade de gênero e amamentação.

Mulheres lactantes não são de outro mundo. A maneira como elas são representadas na sociedade reflete diretamente para onde essa sociedade está caminhando. 

Derrubar o tabu da amamentação em público é responsabilidade de todos, não apenas da rede de apoio direta das mães. 

Compartilhar as informações verdadeiras sobre os leites de fórmula, bancos de leite e, é claro, benefícios da amamentação pode ser uma prática de todxs.

Lutar pela igualdade de gênero dentro de casa, dentro da legislação, dentro das corporações, dentro da sociedade como um todo, é primordial para a proteção social parental.

Se você conhece alguma mulher gestante ou já mãe lactante, busque formar parte de sua rede de apoio. Na internet temos inúmeros textos explicando como fazer isso. Custa nada.

Por fim, finalizo desejando que todxs tenham entendido o que significam os objetivos e diretrizes da Semana Mundial de Aleitamento Materno. Se alguém tiver alguma dúvida, deixe nos comentários.